Alfornelos, Amadora, 27 Nov (Lusa) - A Associação Cívica dos Moradores de Alfornelos (ACMA) realiza hoje uma reunião de esclarecimento com a população local sobre a adjudicação, já anunciada pelo Governo, do último troço da Circular Regional Interna de Lisboa ( CRIL).
Numa convocatória distribuída à população de Alfornelos, a Associação Cívica informa que pretende discutir a adjudicação "do IC-17, CRIL, que engloba também o IC-16 - Radial da Pontinha, e a terceira circular - Radial de Benfica.
Paulo Ferreira, membro da Associação, disse à agência Lusa que, "a partir do momento em que as obras estejam completas, passarão no local, todos os dias, 200 mil veículos, com possibilidade de crescimento de 56,9 por cento, ou seja, 300 mil veículos até 2025".
"Todos os dias, durante o ano todo, para o resto das nossas vidas. É isto que nos espera a partir de 2009", lamentou-se.
O membro da Associação teme o ruído e a poluição que estas vias poderão trazer à localidade.
"Alfornelos está numa zona inferior às vias e os gases poluentes tendem a baixar, de maneira que ficarão depositados no bairro. Também o ruído vai afectar toda a população", referiu Paulo Ferreira.
Adiantou que a Associação "não é contra a CRIL" mas defende que a "solução passa pela construção das vias em túnel verdadeiro".
O Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra indeferiu a providência cautelar interposta pela Associação, onde esta pedia a anulação do processo.
A Associação reccorreu para o Tribunal Central e Administrativo do Sul, aguardando resposta, segundo Paulo Ferreira.
A reunião de hoje terá lugar na Escola EB 1 Orlando Gonçalves às 21:00.
Fonte: Expresso
terça-feira, novembro 27, 2007
Taberna Ocupada p’la Cultura na Amadora (TOCA) foi demolida
Na quarta-feira, a cultura na Amadora sofreu uma machadada brutal. A Taberna Ocupada p’la Cultura na Amadora (TOCA) foi demolida sem qualquer pré-aviso por escavadoras, enquanto a PSP cortava os acessos. A TOCA era um projecto do Movimento de Acção Reivindicativa pela Cultura e Habitação na Amadora (MARCHA).
Ocupámos uma casa antiga, património histórico da nossa cidade, e remodelamo-la. Através do trabalho voluntário, centenas de jovens, com o apoio de vizinhos, limparam, pintaram as paredes, arranjaram o telhado, mobilaram a casa e deram-lhe vida abrindo-a à população e aos jovens.
Durante oito meses, resgatamos um espaço do silêncio e da degradação e demo-lo à juventude. Organizámos dezenas de concertos de todos os tipos de música, exposições de fotografia, sessões de cinema, debates, convívios e reuniões. Era raro o fim-de-semana em que a TOCA não se enchia de gente, com centenas de jovens da Amadora e de outros concelhos.
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Ocupámos uma casa antiga, património histórico da nossa cidade, e remodelamo-la. Através do trabalho voluntário, centenas de jovens, com o apoio de vizinhos, limparam, pintaram as paredes, arranjaram o telhado, mobilaram a casa e deram-lhe vida abrindo-a à população e aos jovens.
Durante oito meses, resgatamos um espaço do silêncio e da degradação e demo-lo à juventude. Organizámos dezenas de concertos de todos os tipos de música, exposições de fotografia, sessões de cinema, debates, convívios e reuniões. Era raro o fim-de-semana em que a TOCA não se enchia de gente, com centenas de jovens da Amadora e de outros concelhos.
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Destruição do Parque Central
Recebemos via e-mail o seguinte texto de um morador da Amadora:
Na reunião Ordinária da Câmara Municipal de 18 de Julho, foi apresentada uma proposta de alteração ao Parque Central que contempla várias alterações na zona nomeadamente: o encerramento da Av. dos Bombeiros na parte que atravessa o jardim unindo as 2 partes do jardim e o desvio de todo o transito daqui para a Rua António Correia de Oliveira seguindo por uma nova rodovia a construir no topo do parque à Praça Simões de Almeida, Rua Henrique Nogueira e regressando, junto ao mercado, à parte final da Av. dos Bombeiros Voluntários. Trata-se de um projecto lesivo para os moradores que conta com a nossa oposição veemente fundamentada em várias razões:
1-A criação de uma nova rodovia na Rua Henrique Nogueira e Praça Simões de Almeida irá, irremediavelmente, afectar o sossego, a qualidade de vida dos moradores desta zona, a segurança das crianças e idosos, sectores que mais frequentam o parque.
2- A solução apresentada irá tornar a circulação ainda mais complicada na zona porque introduzirá um percurso muito mais longo e cheio de curvas e contra-curvas.
3- A beneficiação do parque pretendida, unindo as 2 partes, torna-se irrelevante e até inadmissível porque sacrificará uma fatia ainda maior do mesmo através do alargamento substancial da Rua Henrique Nogueira e da criação de nova rua na Praça Simões de Almeida à custa de terreno do parque. Isto é, afinal a concretização desta proposta tornará o parque mais pequeno e derrubará 30 árvores de porte significativo;
4- O mesmo objectivo que é unir as duas partes do parque consegue-se com outras alternativas de circulação mais lógicas, menos lesivas dos moradores e de fácil concretização, a saber: circulação do transito pela Av. dos Combatentes da Grande Guerra, inversão da circulação na Rua Rainha D. Leonor e/ou no troço final da Av. Miguel Bombarda.
Contacte a CM da Amadora
geral@acm-amadora.pt
Contacte a JF da Mina
jfmina@jf-mina.pt
Na reunião Ordinária da Câmara Municipal de 18 de Julho, foi apresentada uma proposta de alteração ao Parque Central que contempla várias alterações na zona nomeadamente: o encerramento da Av. dos Bombeiros na parte que atravessa o jardim unindo as 2 partes do jardim e o desvio de todo o transito daqui para a Rua António Correia de Oliveira seguindo por uma nova rodovia a construir no topo do parque à Praça Simões de Almeida, Rua Henrique Nogueira e regressando, junto ao mercado, à parte final da Av. dos Bombeiros Voluntários. Trata-se de um projecto lesivo para os moradores que conta com a nossa oposição veemente fundamentada em várias razões:
1-A criação de uma nova rodovia na Rua Henrique Nogueira e Praça Simões de Almeida irá, irremediavelmente, afectar o sossego, a qualidade de vida dos moradores desta zona, a segurança das crianças e idosos, sectores que mais frequentam o parque.
2- A solução apresentada irá tornar a circulação ainda mais complicada na zona porque introduzirá um percurso muito mais longo e cheio de curvas e contra-curvas.
3- A beneficiação do parque pretendida, unindo as 2 partes, torna-se irrelevante e até inadmissível porque sacrificará uma fatia ainda maior do mesmo através do alargamento substancial da Rua Henrique Nogueira e da criação de nova rua na Praça Simões de Almeida à custa de terreno do parque. Isto é, afinal a concretização desta proposta tornará o parque mais pequeno e derrubará 30 árvores de porte significativo;
4- O mesmo objectivo que é unir as duas partes do parque consegue-se com outras alternativas de circulação mais lógicas, menos lesivas dos moradores e de fácil concretização, a saber: circulação do transito pela Av. dos Combatentes da Grande Guerra, inversão da circulação na Rua Rainha D. Leonor e/ou no troço final da Av. Miguel Bombarda.
Contacte a CM da Amadora
geral@acm-amadora.pt
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jfmina@jf-mina.pt
quinta-feira, novembro 15, 2007
Amadora em Cena
Companhias profissionais e amadoras de todo o país participam de 22 de Novembro a 09 de Dezembro no «Amadora em Cena», uma mostra de teatro e «performances» destinada a contrariar o «divórcio» da população com a cultura.Do Auditório de Alfornelos, onde decorre a maior parte dos espectáculos, às estações de comboios do concelho, por onde passará um cortejo a ser integrado pelo público, a quinta edição
do evento pretende homenagear a multiculturalidade dos habitantes da Amadora ao reunir grupos de várias regiões, com diferentes experiências, e incluir uma grande diversidade de temas, épocas e autores.
«Temos uma versão 'performance' de um espectáculo sobre o 'Livro do Desassossego' de Fernando Pessoa, um espectáculo sobre Freud, outro a partir do texto clássico 'Gato das Botas', uma 'performance' sobre as memórias da Guerra do Ultramar e das revoltas estudantis, uma adaptação de Samuel Beckett que junta a filosofia ao teatro do absurdo, enfim, a variedade é muita, desde espectáculos mais ligeiros a outros mais fechados sobre si próprios», explicou à Lusa Ricardo Mendes, da direcção do Teatro Passagem de Nível, organizador da mostra.
«Tentamos que a diversidade da Amadora, um concelho fértil em cultura, transpareça no evento, pelo que misturamos, um pouco ao mesmo nível, companhias profissionais e não-profissinais locais e de outras zonas, como Sintra, Santarém, Serpa ou Torre de Moncorvo», acrescentou.
Além de nove espectáculos teatrais e quatro «performances», o programa (disponível em http://amadoraemcena.tpn.pt) inclui «workshops» de máscaras e expressão dramática, actuações musicais com «desgarradas» e música electrónica, uma mesa redonda sobre arte nas escolas e, no dia 24, um cortejo por três estações de comboios, onde o público poderá juntar-se a malabaristas, dançarinos e outros artistas.
«É também uma forma de ir buscar as pessoas onde elas estão. A Amadora sofre muito de um claro divórcio da população com a cultura, as pessoas estão muitas vezes longe das salas de espectáculo», lamentou Ricardo Mendes.
Apesar do afastamento e de ser «muito flutuante» a participação do público nos concelhos em torno de Lisboa, o Teatro Passagem de Nível conta com a diversidade do cartaz para despertar a atenção dos visitantes e mantém fortes expectativas quanto ao sucesso da iniciativa.
«Começa a haver um público que se interessa pela mostra, que pergunta como correu quando não pode ir, e a Câmara tem também vindo a reconhecer cada vez mais a sua importância. Queremos que a Amadora retome o importante papel cultural que já teve na região, promovendo a inclusão, e não pretendemos abrir mão desse objectivo», concluiu o responsável.
PÚBLICO / Lusa.
O Amadora em Cena 5 irá decorrer de 22 de Novembro a 9 de Dezembro. Para mais informações consulte o sítio http://amadoraemcena.tpn.pt
quarta-feira, novembro 07, 2007
Faltam passeios em Carenque. É fácil Sr. Presidente Joaquim Raposo
Notícia do Jornal da Região de dia 7 de Novembro de 2007:Para os moradores de Carenque, o simples acto de andar a pé pode constituir uma aventura extremamente perigosa. "Em quase toda a localidade não há um único passeio. Temos que andar sempre a correr, com medo de levarmos uma panada de um carro", lamenta Neide Costa, residente na localidade. Uma situação que há muito provoca o desagrado dos moradores. "Se para nós, mais velhos, é perigoso, imagine-se para as crianças...", acrescenta um outro residente. "Ficaria muito bonito se construíssem um passadiço ao longo da ribeira, até porque esta é uma zona muito aprazível para se passear e fazer caminhadas", realça o morador. Perante estas queixas, o presidente da câmara, Joaquim Raposo, explicou que na localidade "não existe terreno disponível para se fazerem passeios, nem para o lado de S. Vicente nem para a saída em direcção ao concelho de Sintra". Ainda assim, o edil diz que a autarquia vai estudar melhor a zona para ver se "em alguns pontos se podem fazer alguns metros de passeio", mas deixa o aviso de que "vai ser difícil".
É fácil Sr. Presidente Joaquim Raposo...
Descubra, aprenda e implemente!
Descubra, aprenda e implemente!
Acalmia do Trânsito I
Acalmia do Trânsito II
Acalmia do Trânsito III e Acalmia do Trânsito IV
Acalmia do Trânsito V
Acalmia do Trânsito II
Acalmia do Trânsito III e Acalmia do Trânsito IV
Acalmia do Trânsito V
A par desta situação, os moradores de Carenque queixam- se também da falta de ecopontos para que possam depositar os resíduos reciclados. "Vai haver um reforço nessa matéria em todo o concelho e, com certeza, a localidade de Carenque vai ser abrangida", avança Eduardo Rosa, vereador responsável pelo pelouro do Ambiente na autarquia.
A resposta é sempre a mesma. Mas para quando???
Mais um exemplo dos milhares de pessoas na Amadora que querem reciclar e às quais a CM da Amadora não dá resposta. Sei de dezenas de pessoas que todas as semanas enchem a mala do carros e têm de percorrer alguns km para depositar o lixo em ecopontos.
Sim, acontece aqui na Amadora!
Sim, acontece aqui na Amadora!
terça-feira, novembro 06, 2007
Câmara da Amadora não protege crianças e peões da A-da-Beja
A 24 de Fevereiro de 2007, um morador da A-da-Beja enviou o seguinte e-mail para o Sr. Amílcar Martins, Presidente da Junta de Freguesia de S. Brás, o qual encaminhou a situação para a Câmara Municipal da Amadora:
Venho chamar a sua atenção para o seguinte:
A lomba existente junto à escola do 1º ciclo da A-da-Beja encontra-se danificada, tendo parte da mesma desaparecido do local.
Solicito a V. Exa. que efectue as diligências necessárias com vista à recolocação da referida lomba de modo a reduzir a velocidade dos automobilistas e assim permitir maior segurança aos peões, particularmente às crianças desta escola.
A 27 de Março de 2007 a situação ainda não estava resolvida e foi feito novo contacto.
Passados 3 meses desde o primeiro contacto:
Passados 3 meses e 15 dias após primeiro contacto, venho comunicar que o referido problema ainda se encontra por resolver.
É desmotivante para mim, enquanto cidadão e contribuinte, verificar a grande morosidade na resolução desta situação.
Verifico diariamente que a ausência da lomba tem provocado uma circulação automóvel mais rápida e perigosa para os peões na A-da-Beja, sobretudo para as crianças, famílias, professores e funcionários desta escola.
Peço a V. Exa. que me informe qual o ponto de situação deste assunto.
Ao longo destes meses a Câmara da Amadora foi sempre informada mas não respondeu ao morador e não resolveu a situação.
Hoje, alguns dias depois de vários atropelamentos mortais em Lisboa e arredores, a lomba que obrigava os automobilistas a reduzir a velocidade e protegia os peões que nem passeios têm ao longo de uma estrada estreita continua por instalar.
Venho chamar a sua atenção para o seguinte:
A lomba existente junto à escola do 1º ciclo da A-da-Beja encontra-se danificada, tendo parte da mesma desaparecido do local.
Solicito a V. Exa. que efectue as diligências necessárias com vista à recolocação da referida lomba de modo a reduzir a velocidade dos automobilistas e assim permitir maior segurança aos peões, particularmente às crianças desta escola.
A 27 de Março de 2007 a situação ainda não estava resolvida e foi feito novo contacto.
Passados 3 meses desde o primeiro contacto:
Passados 3 meses e 15 dias após primeiro contacto, venho comunicar que o referido problema ainda se encontra por resolver.
É desmotivante para mim, enquanto cidadão e contribuinte, verificar a grande morosidade na resolução desta situação.
Verifico diariamente que a ausência da lomba tem provocado uma circulação automóvel mais rápida e perigosa para os peões na A-da-Beja, sobretudo para as crianças, famílias, professores e funcionários desta escola.
Peço a V. Exa. que me informe qual o ponto de situação deste assunto.
Ao longo destes meses a Câmara da Amadora foi sempre informada mas não respondeu ao morador e não resolveu a situação.
Hoje, alguns dias depois de vários atropelamentos mortais em Lisboa e arredores, a lomba que obrigava os automobilistas a reduzir a velocidade e protegia os peões que nem passeios têm ao longo de uma estrada estreita continua por instalar.
Porque razão a CM da Amadora não coloca de novo uma lomba na entrada da A-da-Beja?
Será necessário morrer alguém?
Será necessário morrer alguém?
Carrinha da saúde é aos sábados - Casal da Mira
Todos os sábados de manhã uma unidade móvel do Centro de Saúde da Venda Nova desloca-se ao bairro de realojamento Casal da Mira, na Amadora, para prestar cuidados médicos à população carenciada. Os moradores concentram-se junto à farmácia à espera da carrinha, numa das principais ruas do bairro, que ganha vida com esta visita semanal."Foi a melhor coisa que fizeram!", considera Aida Cardoso, apoiada numa muleta. Depois de ter dado uma queda há cerca de dez anos, Aida tem dificuldades de mobilidade." Se tiver que me deslocar ao Centro de Saúde tenho que apanhar dois autocarros e pagar dois bilhetes".
Há nove meses que semanalmente a unidade móvel do Centro de Saúde da Venda Nova se desloca ao Casal da Mira, o maior bairro de realojamento da Amadora, onde vivem cerca de 760 famílias. "Não queremos substituir o Centro de Saúde, mas sim aproximá-lo das pessoas", explica Carlos Silva, médico e presidente da Associação Jovens Promotores Amadora Saudável (AJPAS), que desenvolve este projecto em parceria Centro de Saúde da Venda Nova, o Ministério da Saúde e a Associação Unidos de Cabo Verde. Todos os sábados são atendidas cerca de 50 pessoas. Para além das consultas, a associação organiza "acções de promoção da saúde na área do VIH/ /sida, com a distribuição de folhetos e preservativos. Tratamos de documentos e legalização de imigrantes. Sinalizamos casos de risco. Damos roupas e brinquedos à população", acrescenta Carlos Silva.
Fonte: Jornal de Notícias 4.11.2007
Associação Moinho da Juventude está a comemorar 20 anos
Houve festa rija no bairro do “djunta mon”Subindo a rua principal do bairro, sente-se um ambiente diferente. Familiar, próximo e simples. Um estilo de vida espontâneo. Conversas à porta de casa, roupa estendida, carros meticulosamente estacionados no pouco espaço que existe. Música alta, um leve cheiro a milho assado e um burburinho que comprova a vida que há nas casas, de portas abertas. E sob um sol calmo de início de tarde, a Cova da Moura, na Amadora, comemora os vinte anos do Moinho da Juventude.
A Associação Cultural Moinho da Juventude iniciou o seu trabalho para abrir o bairro ao resto do mundo, tentando dar a conhecer o lado das pessoas que ali vivem. É baseado num sentimento mútuo de união que o trabalho continua a ser feito, desde a sua criação, em 1987. Hoje, junta centenas de moradores, voluntários e colaboradores.
“Há uma cultura própria e única da Cova da Moura, que parte de uma mistura de muitas culturas”, disse ao PUBLICO.PT Heidir Correia, 25 anos, guia das visitas que desde 2005 podem ser feitas ao bairro. Heidir apresentou o “Projecto Sabura” no final do seu curso de animação social, propondo que houvesse a possibilidade de dar a conhecer o bairro de uma forma directa. Para além de coordenar as visitas guiadas, é responsável pela organização dos ateliers de música e televisão. Activo e decidido, Heidir revela que a maior parte dos projectos da associação são bem recebidos e têm sempre muita gente. “Quanto mais projectos há, mais projectos são criados”.
O desporto é uma das áreas mais procuradas. Ibrantino Freitas, conhecido por ‘Tchino’, é o treinador de futsal. “Acho que agora as pessoas dão mais atenção e mais valor ao trabalho que é feito aqui”, disse. Considera que, enquanto treinador dos mais novos, deve dar uma formação não só de futebol, mas também na maneira de estar e agir na vida, no dia-a-dia. “A própria mentalidade das pessoas tem mudado” com a existência e as acções da associação, confessa “Tchino”.
Ermelindo Quaresma é formador e animador informático, num outro núcleo da associação. Para ele “o bairro é uma grande família”. Ermelindo quer que “todos tenham a consciência de que há um mundo de informação ao qual podem aceder”. Ali, à mão de semear, há uma sala de informática, com 12 computadores e cerca de 120 alunos.
"djunta mon"
Lut Goossens, coordenadora geral da organização belga De Link, foi uma das presenças especiais deste dia. A De Link orienta os chamados ‘peritos de experiência’, um conceito relativamente recente em Portugal, mas que na Bélgica é reconhecido pelo governo flamengo desde 1994. “A pobreza tem uma enorme influência no interior das pessoas, deixa-as verdadeiramente feridas”, explicou Goossens. “As medidas do governo, quando existem, não são suficientes. É necessária a ajuda de pessoas que saibam o que é ser pobre”. A mesma responsável sublinhou ainda a necessidade de estabelecer uma ponte entre as pessoas e o governo, e como essa atitude é eficaz na resolução de problemas de bairros problemáticos.
No discurso de abertura, a vice-presidente da Moinho da Juventude, a belga Godelieve Meersschaert, lembrou que “tudo envolve esforço e trabalho, numa combinação de energias”, salientando a importância do papel dos “peritos de experiência”. “Eles tentam explicar o porquê da pobreza, da emigração, numa colaboração complementar ao trabalho dos técnicos”.
E é neste sentido que o bairro se organiza em união, em “djunta mon” que, em crioulo, significa ‘juntar as mãos’, ‘trabalhar em união’. “Não aceitámos que o bairro, que foi construído pelos próprios moradores, fosse destruído. Vai ser requalificado e reconvertido”, disse Ermelindo Quaresma. “Há uma maior auto-estima nos moradores, mesmo em relação ao bairro onde vivem”, acrescentou. E Lut Goossens explica essa evolução. “Quando as pessoas se abrem e se soltam, vêem que são alguém e que têm motivos para serem apreciados pela sociedade”.
Na ilha trazida pelo Atlântico
A celebração do 20º aniversário da Moinho da Juventude foi um mergulho na língua crioula e na cultura cabo-verdiana. Transpareceu a certeza de que ali foi criado um mundo. Houve tambores, dança Kolar e muito batuque. “Kenha ki kre-nu, kre batuku. Batuku e nos aima!” (Aqueles que nos amam, amam o batuque. O batuque é a nossa alma). Finka Pé, o grupo de batuque que animou a tarde, contou com um pequeno talento revelado na dança. E um pouco antes, Miguel Horta, escritor ligado à comunidade cabo-verdiana, contou uma história em crioulo, o pequeno conto “A Cachupa” que fez com que os mais velhos regressassem à infância.
Sempre ao som de tambores, centenas de balões foram largados com pequenas mensagens. A esperança é que estes textos sejam lidos noutros pontos da cidade. Agora espera-se uma resposta de volta, vinda desse outro lado, no mesmo papel. Num voo de 20 anos de trabalho da Moinho da Juventude, é o acto mais simples e sincero de abertura do bairro à cidade.
Fonte: Público 5.11.2007
Festival de BD da Amadora 2007 teve mais visitantes
O 18ª Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), que terminou no domingo, teve este ano mais visitantes e proporcionou contactos para projectos para 2008, afirmou hoje à Lusa o director do FIBDA, Nelson Dona.«O balanço é bastante positivo, tivemos mais público durante os fins-de-semana e uma repercussão mediática mais abrangente», referiu o director.
Em ano de celebração da «maioridade», o festival recordou as dez mais importantes bandas desenhadas do século XX, de Little Nemo a Maus, homenageou o brasileiro Ziraldo e Uderzo, o criador de Astérix, e ainda António Cardoso Lopes, «Tiotónio», um dos fundadores da revista «O Mosquito».
Pelo Fórum Luís de Camões, na Brandoa, passaram vários autores e desenhadores, com destaque para as presenças de Ziraldo, do mexicano Xisto Valência, do francês Lewis Trondheim e dos portugueses José Carlos Fernandes, Luís Louro, Rui Lacas e Sergei.
Nas concorridas sessões de autógrafos, a mais cobiçada foi a de Milo Manara, desenhador italiano autor de várias bandas desenhadas eróticas que passou pelo FIBDA nos dias 27 e 28 de Outubro.
Segundo Nelson Dona, editores e autores de histórias aos quadradinhos aproveitaram o festival para fazer contactos para futuros projectos, destacando-se a hipótese de edição do livro «Salazar, agora na hora da sua morte», de Miguel Rocha e João Paulo Cotrim, na Polónia, França e Espanha.
A série «A pior banda do mundo», de José Carlos Fernandes, autor premiado este ano no FIBDA, também deverá ser editada no mercado polaco.
«O festival cumpre assim também o seu papel de divulgar a banda desenhada portuguesa no mercado nacional e no estrangeiro», sublinhou o director do FBDA, apesar de concordar que 2007 foi um ano magro de edições lusas.
«O panorama foi menos atractivo quanto ao número de álbuns editados, mas penso que as que saíram revelam uma produção mais madura», sublinhou Nelson Dona.
A edição de 2008 do festival decorrerá de 23 de Outubro a 09 de Novembro e, apesar do tema não estar ainda definido, deverá ser dedicada à tecnologia e à ficção científica.
A temática coincidirá com a realização, em Lisboa, do congresso mundial da história de ciência e tecnologia, organizado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e o Ministério da Ciência.
Diário Digital / Lusa
«Os dias arrastam-se e as noites também» estreia na Amadora
«Os Dias Arrastam-se e as Noites Também» é uma peça que o Teatro dos Aloés estreia quarta-feira na Amadora e conta a história de um estranho que se refugia em casa de um casal à beira da ruptura.
Com texto de Léandre-Alain Baker, um artista congolês que vive em França, esta peça propõe «um reflexão sobre a sociedade de acolhimento europeia e os imigrantes», nas palavras do encenador José Peixoto.
«É a história de uma mulher que chega a casa e encontra um homem estranho vestido com o seu roupão», disse à Lusa o encenador, acrescentando que o indivíduo em causa é negro e o casal que vive no apartamento onde ele aparece é branco.
A peça pretende questionar o confronto entre pessoas e entre culturas.
«Achámos bastante importante que uma companhia sedeada na Amadora, onde vivem actualmente muitos imigrantes, fizesse esta reflexão», indicou José Peixoto, sublinhando que vê o próprio autor do texto como um homem dividido entre duas culturas.
«Os Dias Arrastam-se e as Noites Também» é a primeira peça de um ciclo de textos de autores africanos que o grupo pretende representar até 2009.
A seguir, será a vez de uma peça do sul-africano Athol Fuggard, autor que já teve um texto representado pelo grupo em 1996 e que agora terá em cena «A canção do vale».
«Os Dias Arrastam-se e as Noites Também» sobe ao palco dos Recreios da Amadora quarta-feira e ficará em cena até dia 18, seguindo depois para o Teatro Taborda, em Lisboa, e para o Teatro Municipal de Almada.
Em palco vão estar os actores Elsa Valentim, Jorge Silva e Daniel Martinho.
Diário Digital / Lusa
Com texto de Léandre-Alain Baker, um artista congolês que vive em França, esta peça propõe «um reflexão sobre a sociedade de acolhimento europeia e os imigrantes», nas palavras do encenador José Peixoto.
«É a história de uma mulher que chega a casa e encontra um homem estranho vestido com o seu roupão», disse à Lusa o encenador, acrescentando que o indivíduo em causa é negro e o casal que vive no apartamento onde ele aparece é branco.
A peça pretende questionar o confronto entre pessoas e entre culturas.
«Achámos bastante importante que uma companhia sedeada na Amadora, onde vivem actualmente muitos imigrantes, fizesse esta reflexão», indicou José Peixoto, sublinhando que vê o próprio autor do texto como um homem dividido entre duas culturas.
«Os Dias Arrastam-se e as Noites Também» é a primeira peça de um ciclo de textos de autores africanos que o grupo pretende representar até 2009.
A seguir, será a vez de uma peça do sul-africano Athol Fuggard, autor que já teve um texto representado pelo grupo em 1996 e que agora terá em cena «A canção do vale».
«Os Dias Arrastam-se e as Noites Também» sobe ao palco dos Recreios da Amadora quarta-feira e ficará em cena até dia 18, seguindo depois para o Teatro Taborda, em Lisboa, e para o Teatro Municipal de Almada.
Em palco vão estar os actores Elsa Valentim, Jorge Silva e Daniel Martinho.
Diário Digital / Lusa
terça-feira, outubro 30, 2007
Fado Solidário - 10 de Novembro
A AIDGLOBAL é uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD), sem fins lucrativos, com sede em Loures, que promove Acções nos domínios da Integração e do Desenvolvimento (AID) Global.Nova "centralidade" da Reboleira à Falagueira
Oposição critica falta de uma política cultural, que se resume ao salão de banda desenhada
O socialista Joaquim Raposo admite que a Amadora ainda "está longe" do conceito de cidade-jardim que os seus fundadores ambicionavam, mas considera que muito tem sido feito para mudar a face do centro urbano. O presidente da câmara aposta, no entanto, numa "nova centralidade" para a cidade, entre a antiga zona industrial e a Quinta do Estado.
Os planos estão a cargo dos arquitectos Manuel Salgado, Norman Foster e Gonçalo Byrne. "O novo centro da Amadora não se faz só com habitação, faz-se naturalmente com alguma indústria, escritórios e equipamentos", afirma Raposo, defendendo que, nos novos empreendimentos, a componente habitacional não ultrapasse metade da ocupação total. Na Quinta do Estado, junto ao metro da Falagueira, que vai ser prolongado até à estação ferroviária da Reboleira, o plano de pormenor deve prever uma zona verde e pequenos bairros, para além da câmara e do tribunal. O metro ligeiro de superfície, de inciativa público-privada, ligará o metro aos casais da Mina e de São Brás.
"A Amadora tem perdido todas as suas importantes unidades de produção", salienta, por seu lado, o vereador João Bernardino (CDU), criticando que se "tem acentuado a característica de um concelho dormitório". O primeiro município criado após o 25 de Abril - em 1979 - foi governado pelos comunistas até 1997, ano em que o PS conquistou a câmara. Bernardino reconhece a melhoria de algumas infra-estruturas, mas o elevado nível de desemprego, o atraso nos realojamentos e a ausência de requalificação urbana levam a "um aumento da exclusão social". O vereador da CDU elege como uma prioridade o reinvestimento numa política cultural, com a recuperação de espaços fechados, como o cinema D. João V (Damaia).
"Fazer bairros só para realojamento é um erro que não cometo", responde Joaquim Raposo, que devolve à CDU as críticas sobre a falta de investimento para acabar com as barracas. O concelho precisa ainda de 1400 fogos para realojar famílias de bairros como o 6 de Maio, Santa Filomena e Estrela de África. Isto sem contar com os 1100 fogos (mais de seis mil pessoas) só para a requalificação da Cova da Moura. A autarquia vai gastar 45 milhões de euros durante os sete anos necessários para recuperar este bairro da Damaia, estimando-se que o Estado gaste o dobro.
Outro desafio para o autarca é a requalificação urbana, através de incentivos fiscais aos proprietários que recuperem os imóveis degradados e da criação de um fundo para que os promotores de novos empreendimentos contribuam para o restauro das habitações envolventes. A Brandoa, que foi o maior bairro clandestino da Europa, possui quase todos os planos de quarteirão aprovados e recebe no Fórum Luís de Camões o Festival Internacional de Banda Desenhada, o principal evento cultural do município e do género no país.
Fonte: Público - 28.10.2007
A fábrica de espartilhos, o berço da aviação e os moinhos
Seria mau para o negócio ter uma fábrica de espartilhos na Porcalhota?
O empresário Santos Mattos não pensou que assim fosse e, em 1892, fundou naquela localidade a fábrica de espartilhos a vapor, com loja na Rua do Ouro, em Lisboa. Isso mesmo é comprovado por um prospecto antigo, exibido recentemente na exposição 100 anos-Amadora, na Casa Roque Gameiro. Um folheto mais recente situava na Amadora a fábrica da casa de espartilhos, cintas e soutiens - única "no seu género".
A mostra, comissariada por João Castela Cravo, apresentava também a petição apresentada ao rei para que as três localidades da Porcalhota, Amadora e Venteira, da freguesia de Benfica e concelho de Oeiras, passassem a designar-se apenas por Amadora, por se tratar do sítio que "excede os outros em densidade de população, aformosamento" e progresso. Os signatários fundamentam a reclamação com anterior substituição de "malsonantes designações como Punhete, Farinha Podre, Lava-Rabos e outras mais". A estação do caminho-de-ferro só abandonou o desonroso nome em Fevereiro de 1908.
Porcalhota terá origem na alcunha dada à filha de Vasco Porcalho, nobre com propriedades na região. Em 1912, a Amadora acolheu um concurso de papagaios que marca o início da aventura aeronáutica. No ano seguinte, segundo resenha de M. Lemos Peixoto (CMA), foi avistado o primeiro avião a cruzar os céus da localidade. Sucederam-se, durante um quarto de século, partidas de "algumas das mais importantes viagens da aviação nacional", nomeadamente à Madeira, Macau, Goa, Guiné, Angola e Timor. O concelho possui como importante vestígio de ocupação do Neolítico a necrópole de Carenque. Um levantamento citado num artigo de João Viegas e Jorge Miranda, na Etnografia da Região Saloia (Instituto de Sintra, 1999), referenciou 61 moinhos na Amadora, entre os séculos XVIII-XX, dos quais dez na Falagueira.
Fonte: Público - 28.10.2007
100 anos depois, o último sopro da tradição rural na Porcalhota
A antiga Porcalhota deu lugar, por decreto real de 28 de Outubro de 1907, à Amadora. No futuro da cidade não há lugar à ruralidade.
Joaquim Raposo assegura que o novo centro, na Falagueira, não será feito só com habitação, mas também com equipamentos.
Manuel Cardeal apoia-se no cajado e olha para a ainda extensa área de pasto entre a Falagueira e a Brandoa. "Tudo acaba", desabafa. Faz hoje 100 anos, um decreto do rei D. Carlos mudou o nome de Porcalhota para Amadora. A cidade está longe da "cidade-jardim" ambicionada pelos seus fundadores. Mas o território onde o pastor sempre viveu pode sofrer uma profunda transformação, se for por diante a criação de uma nova "centralidade" urbana.
Diariamente, milhares de pessoas são engolidas pelo metro da Falagueira. Manuel Cardeal, 72 anos, percorre os caminhos vizinhos com o rebanho de uma centena de ovelhas. Num concelho marcado pela densificação urbana, o pastor ocupa as manhãs da reforma a apascentar os animais nos últimos espaços livres do betão. Por quanto tempo, não sabe. Uma "dor numa anca" parece o sinal para assentar. O que não o deixa mais feliz, pois habituou-se à vida ao ar livre, mesmo quando empregado, como "complemento" para criar os filhos.
"O meu avô cultivava estes campos e dizia que dava mais um hectare de trigo aqui do que cinco hectares em alguns pontos do Alentejo", conta Manuel Cardeal, mirando do alto da encosta para as terras rasgadas pela estrada dos Salgados, que liga a Falageira à Pontinha. Esta zona de grandes propriedades agrícolas abastecia Lisboa. A Quinta do Tivoli, por exemplo, fornecia as unidades hoteleiras com o mesmo nome. Na Quinta do Estado, as instalações pecuárias estão ao abandono e só alguns terrenos são ainda aproveitados.
O pastor trabalhou na antiga Fábrica dos Ossos, no alto da Brandoa. Os ossos eram triturados e, transformados em carvão animal, serviam para refinar açúcar. A fábrica fechou e dela restam alguns muros. A vida melhorou com o emprego na Cel Cat, na Venda Nova, que transformava cobre em bruto em fios.
Era a época da intensa actividade industrial que levou para a área até à Reboleira unidades de produção de vidro e borracha ou metalomecânica e metalúrgica, como a Sorefame e Cometna. A necessidade de habitações baratas para o operariado impulsionou a construção, legal e clandestina. As enormes instalações fabris encontram-se agora tomadas pela ferrugem e ervas daninhas. Numas quantas funcionam médias empresas. A indústria farmacêutica parece prosperar. Na manhã de sexta-feira, num antigo armazém, meia dúzia de pessoas escutam, numa ampla plateia de cadeiras de plástico vazias, a homilia de um "pastor" no "Templo Sede da Assembléia de Deus do Ministério do Avivamento".
Manuel Cardeal recorda o tempo em que a Falagueira "era uma família com 30 moradores". "Já não se cultiva nada. Tudo acaba". O desabafo confirma o fim da tradição rural. As raras excepções encontram-se nas bermas das vias rápidas, como o IC19, ou na encosta da Brandoa, salpicada de barracos agrícolas. As azeitonas secam nas oliveiras. Pela hora do almoço recolhe as ovelhas com a ajuda dos cães. O ti Manuel antecipa a satisfação com o aniversário de uma das netas. No fim-de-semana em que a Amadora também cumpre um século.
A melhor água-pé
Na Rua Elias Garcia, o trânsito intenso avança ao sabor da vontade dos semáforos. A estrada atravessa o Bairro do Bosque, sítio da Porcalhota original. A antiga Vila Martelo, perto do quartel dos bombeiros, permanece de pé com as fachadas arruinadas. Oficinas abandonadas e casas entaipadas coexistem a poucos metros com modernos edifícios. Ironia, ou não, um cartaz camarário proclama "qualidade de vida" alcançada com os jardins criados na cidade. Ao cima da rua, a ribeira da Falagueira é disso testemunho, com o amplo espaço verde no lugar antes ocupado por barracas. O comércio tradicional vai resistindo à concorrência das grandes superfícies. É o caso da taberna e carvoaria a funcionar num edifício térreo. Um papel afixado à porta anuncia "a melhor água pé da Amadora".
"Ia levar carvão à Venda Nova em cestos à cabeça, com os filhos pela mão a chorar. Agora vêm cá buscar", conta Rita Madeira, 79 anos. Há meio século trocou a distante Vila Nova de Cerveira pelo namorado que a mandou buscar após montar a taberna. Os clientes são recebidos por uma fila de pipas. A marca B ou T indica a tonalidade e sabor do que levam dentro. Uns carapaus de escabeche numa vitrina convidam a uma "taçinha", como se diz hoje, em vez do "copo de três" de antanho.
"O negócio já esteve melhor", confessa a comerciante. O vinho tem mais saída. Para trás ficou o tempo em que carvão e petróleo eram a principal energia doméstica. Rita Madeira mostra agrado pela evolução que a Amadora conhece, com os espaços verdes, as escolas e as creches. Só o trânsito a incomoda. Mas não ao ponto de regressar à terra natal e menosprezar a cidade que lhe permitiu dar aos filhos vida diferente da sua: "Vim de lá com a roupa do corpo. Que saudades é que deixei lá?"
Fonte: Público - 28.10.2007
Programa HiperNatura recupera 20 jardins públicos no país
Debaixo do Jardim do Príncipe Real, no Museu da Água, a humidade do ar recorda o cheiro a terra de um jardim acabado de regar. Os holofotes verdes recriam a sombra das árvores o que, juntamente com alguns tapetes de relva, transforma este espaço num verdadeiro jardim de inverno. Foi este o cenário que os responsáveis pelo HiperNatura escolheram para apresentar o seu novo programa que tem um objectivo ecológico: recuperar 20 jardins públicos em 20 autarquias do país.
O HiperNatura resulta de uma parceria entre o hipermercado Continente, a revista "Visão" e a associação ambientalista Quercus. “Preservar, promover, modernizar e edificar” são as palavras-chave deste projecto para o director de Marketing do Continente, Miguel Rangel. Para além disso, em cada um dos 20 jardins remodelados, pretende-se sensibilizar os cidadãos para diversos temas relacionados com o ambiente e a ecologia, pelo que as sugestões da Quercus em cada jardim são fundamentais.
E porque, como disse Albert Schweitzer, “dar o exemplo não é a melhor forma de influenciar os outros – é a única”, e o ambiente não é uma questão estanque, cada jardim será pensado e adaptado às pessoas daquela zona, tendo sempre em consideração as suas necessidades, mas não esquecendo também a preservação da biodiversidade para tentar tornar Portugal mais verde.
As formas de intervenção podem ser feitas de várias maneiras. Revitalizar um espaço degradado, modernizá-lo, ou construir de raiz um jardim a partir de um terreno baldio, são algumas das possibilidades. Criar percursos pedonais, integrar parques infantis, zonas radicais e de lazer é outra alternativa. Nas 20 intervenções a fauna, a flora e as espécies animais presentes vão ser prioritárias, pelo que estarão identificadas.
O jardim ideal
Susana Fonseca, vice-presidente da Quercus, disse que o facto de as pessoas se apoiarem muito nos poucos espaços verdes que existem “é a prova de como necessitam deles”. A ambientalista descreveu o jardim ideal como “um espaço diversificado mas com natureza própria do país e adaptada às suas condições climáticas”. Para Susana Fonseca, “um jardim relvado e com palmeiras não é de todo o indicado” e corresponde a um imaginário que construímos desde crianças.
Além disso, considerou essencial uma óptima gestão da água nestes espaços, usar adubo orgânico para compostagem, mobiliário feito a partir de materiais reciclados, e que as pessoas tenham contacto com “plantas de diferentes cores, texturas e cheiros”, de forma poderem envolver-se com elas. “A Gulbenkian é um excelente exemplo de um jardim que nos permite afastarmo-nos da cidade, deixar de ouvir os carros, fundirmo-nos com a natureza”, exemplificou a ambientalista.
O secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, João Ferrão, considerou a iniciativa uma forma de exercício da “responsabilidade social no dia-a-dia” e um exemplo de como deve ser “o novo modelo de governação urbana, sem desresponsabilizar a administração pública”.
O exemplo da Amadora
A Câmara Municipal da Amadora tem sido uma das mais entusiastas com este projecto que se “interliga com uma série de outros que se estão a desenvolver”, como referiu Gabriel Oliveira, responsável pelo pelouro dos Espaços Verdes. O que torna mais curiosa a adaptação para circuito de corrida dos quase cinco quilómetros da Estrada dos Salgados é o facto de aquele sítio ter começado a ser utilizado por “um grupo de idosos da Brandoa que decidiu começar a andar a pé depois do jantar em vez de ficar em casa a ver a novela da noite”, explicou.
A estes pioneiros de um hábito saudável seguiram-se muitos outros e, agora, “centenas de pessoas usam este percurso para manutenção”, acrescentou. A Câmara da Amadora vai também reconverter o Parque Central num parque temático sobre a água, inspirado do parque da Playmobil, em Nuremberga, e que se chamará “Fun Park”.
O HiperNatura arrancou em Maio e custará 600 mil euros. Até agora 12 delas já escolheram os espaços a trabalhar, e as outras oito, apesar de já terem aceite a proposta, estão ainda a decidir. Em Viana do Castelo recuperar-se-á o Jardim de S. Vicente, em Vila Real os Parques Congo e Florestal, em Maia o Jardim de Gueifães, no Porto os jardins do Palácio de Cristal, em Matosinhos o Parque do Carriçal, em Ovar o Jardim Almeida Garrett, em Viseu o Jardim Santo António, na Covilhã o Jardim do Laço, em Coimbra o Parque Aventura, em Leiria o Parque Radical, na Amadora o Circuito Pedonal Estrada dos Salgados e em Cascais o Pedra Amarela, campo base no Parque Natural Sintra/Cascais. Albufeira, Guimarães, Lisboa, Loures, Portimão, São João da Madeira, Seixal e Vila Nova de Gaia ainda não escolheram o local.
Fonte: Público
25.10.2007
Notícia recebida por e-mail. Obrigado Blog Vila Chã
O HiperNatura resulta de uma parceria entre o hipermercado Continente, a revista "Visão" e a associação ambientalista Quercus. “Preservar, promover, modernizar e edificar” são as palavras-chave deste projecto para o director de Marketing do Continente, Miguel Rangel. Para além disso, em cada um dos 20 jardins remodelados, pretende-se sensibilizar os cidadãos para diversos temas relacionados com o ambiente e a ecologia, pelo que as sugestões da Quercus em cada jardim são fundamentais.
E porque, como disse Albert Schweitzer, “dar o exemplo não é a melhor forma de influenciar os outros – é a única”, e o ambiente não é uma questão estanque, cada jardim será pensado e adaptado às pessoas daquela zona, tendo sempre em consideração as suas necessidades, mas não esquecendo também a preservação da biodiversidade para tentar tornar Portugal mais verde.
As formas de intervenção podem ser feitas de várias maneiras. Revitalizar um espaço degradado, modernizá-lo, ou construir de raiz um jardim a partir de um terreno baldio, são algumas das possibilidades. Criar percursos pedonais, integrar parques infantis, zonas radicais e de lazer é outra alternativa. Nas 20 intervenções a fauna, a flora e as espécies animais presentes vão ser prioritárias, pelo que estarão identificadas.
O jardim ideal
Susana Fonseca, vice-presidente da Quercus, disse que o facto de as pessoas se apoiarem muito nos poucos espaços verdes que existem “é a prova de como necessitam deles”. A ambientalista descreveu o jardim ideal como “um espaço diversificado mas com natureza própria do país e adaptada às suas condições climáticas”. Para Susana Fonseca, “um jardim relvado e com palmeiras não é de todo o indicado” e corresponde a um imaginário que construímos desde crianças.
Além disso, considerou essencial uma óptima gestão da água nestes espaços, usar adubo orgânico para compostagem, mobiliário feito a partir de materiais reciclados, e que as pessoas tenham contacto com “plantas de diferentes cores, texturas e cheiros”, de forma poderem envolver-se com elas. “A Gulbenkian é um excelente exemplo de um jardim que nos permite afastarmo-nos da cidade, deixar de ouvir os carros, fundirmo-nos com a natureza”, exemplificou a ambientalista.
O secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, João Ferrão, considerou a iniciativa uma forma de exercício da “responsabilidade social no dia-a-dia” e um exemplo de como deve ser “o novo modelo de governação urbana, sem desresponsabilizar a administração pública”.
O exemplo da Amadora
A Câmara Municipal da Amadora tem sido uma das mais entusiastas com este projecto que se “interliga com uma série de outros que se estão a desenvolver”, como referiu Gabriel Oliveira, responsável pelo pelouro dos Espaços Verdes. O que torna mais curiosa a adaptação para circuito de corrida dos quase cinco quilómetros da Estrada dos Salgados é o facto de aquele sítio ter começado a ser utilizado por “um grupo de idosos da Brandoa que decidiu começar a andar a pé depois do jantar em vez de ficar em casa a ver a novela da noite”, explicou.
A estes pioneiros de um hábito saudável seguiram-se muitos outros e, agora, “centenas de pessoas usam este percurso para manutenção”, acrescentou. A Câmara da Amadora vai também reconverter o Parque Central num parque temático sobre a água, inspirado do parque da Playmobil, em Nuremberga, e que se chamará “Fun Park”.
O HiperNatura arrancou em Maio e custará 600 mil euros. Até agora 12 delas já escolheram os espaços a trabalhar, e as outras oito, apesar de já terem aceite a proposta, estão ainda a decidir. Em Viana do Castelo recuperar-se-á o Jardim de S. Vicente, em Vila Real os Parques Congo e Florestal, em Maia o Jardim de Gueifães, no Porto os jardins do Palácio de Cristal, em Matosinhos o Parque do Carriçal, em Ovar o Jardim Almeida Garrett, em Viseu o Jardim Santo António, na Covilhã o Jardim do Laço, em Coimbra o Parque Aventura, em Leiria o Parque Radical, na Amadora o Circuito Pedonal Estrada dos Salgados e em Cascais o Pedra Amarela, campo base no Parque Natural Sintra/Cascais. Albufeira, Guimarães, Lisboa, Loures, Portimão, São João da Madeira, Seixal e Vila Nova de Gaia ainda não escolheram o local.
Fonte: Público
25.10.2007
Notícia recebida por e-mail. Obrigado Blog Vila Chã
Executivo camarário aprova subida do IMI para 2008
A Câmara da Amadora anunciou hoje a aprovação do aumento, em 0,5%, do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para prédios não arrendados e não transmitidos em 2008, medida considerada «desnecessária» e «exagerada» pela CDU concelhia.
Segundo informação disponibilizada pela autarquia, a definição do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) em 7,5% terá ainda de ser submetida à Assembleia Municipal, tal como a intenção do executivo camarário de manter em 0,5% a taxa para prédios urbanos transmitidos sob a vigência do Código do IMI e de aplicar minorações ou majorações, em 20% do imposto, em função do estado de conservação dos edifícios de algumas zonas.
Aos deputados municipais caberá ainda votar sobre a proposta camarária de lançar, no próximo ano, uma derrama de 1,5% (valor máximo) sobre a colecta do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC), uma medida definida pelo executivo como um «reforço fundamental» para compensar os investimentos de qualificação urbanística, elevar o «quadro de vida dos munícipes» e promover a coesão social.
Para o vereador da CDU na Câmara da Amadora, João Bernardino, o aumento do IMI é, no entanto, uma carga excessiva para os contribuintes, que acabam sempre por ser «sacrificados» em nome dos investimentos públicos.
«Estamos em total desacordo, porque este aumento é exagerado e desnecessário, não tem qualquer razão de ser. Em 1997, a Câmara arrecadava seis milhões de euros com a então designada Contribuição Autárquica e, dez anos depois, arrecada praticamente 18 milhões, o que é uma subida brutal», explicou à Lusa João Bernardino, assegurando que uma taxa na ordem dos 0,6% seria já suficiente para comportar as despesas municipais.
Quanto à derrama proposta pelo executivo liderado por Joaquim Raposo (PS), o vereador concorda com a aplicação da taxa máxima, mas defende a sua isenção para as pequenas empresas.
«É necessário fazer investimento, mas não pode ser sempre à custa dos mais necessitados, sem grande capacidade de resposta. O orçamento de Estado deveria ter isto em conta», concluiu.
Diário Digital / Lusa
29-10-2007 18:31:17
Segundo informação disponibilizada pela autarquia, a definição do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) em 7,5% terá ainda de ser submetida à Assembleia Municipal, tal como a intenção do executivo camarário de manter em 0,5% a taxa para prédios urbanos transmitidos sob a vigência do Código do IMI e de aplicar minorações ou majorações, em 20% do imposto, em função do estado de conservação dos edifícios de algumas zonas.
Aos deputados municipais caberá ainda votar sobre a proposta camarária de lançar, no próximo ano, uma derrama de 1,5% (valor máximo) sobre a colecta do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC), uma medida definida pelo executivo como um «reforço fundamental» para compensar os investimentos de qualificação urbanística, elevar o «quadro de vida dos munícipes» e promover a coesão social.
Para o vereador da CDU na Câmara da Amadora, João Bernardino, o aumento do IMI é, no entanto, uma carga excessiva para os contribuintes, que acabam sempre por ser «sacrificados» em nome dos investimentos públicos.
«Estamos em total desacordo, porque este aumento é exagerado e desnecessário, não tem qualquer razão de ser. Em 1997, a Câmara arrecadava seis milhões de euros com a então designada Contribuição Autárquica e, dez anos depois, arrecada praticamente 18 milhões, o que é uma subida brutal», explicou à Lusa João Bernardino, assegurando que uma taxa na ordem dos 0,6% seria já suficiente para comportar as despesas municipais.
Quanto à derrama proposta pelo executivo liderado por Joaquim Raposo (PS), o vereador concorda com a aplicação da taxa máxima, mas defende a sua isenção para as pequenas empresas.
«É necessário fazer investimento, mas não pode ser sempre à custa dos mais necessitados, sem grande capacidade de resposta. O orçamento de Estado deveria ter isto em conta», concluiu.
Diário Digital / Lusa
29-10-2007 18:31:17
quarta-feira, outubro 24, 2007
Bicicletada / Massa Crítica
Aveiro, Coimbra, Lisboa e Porto
26 de Outubro, sexta-feira 18h00
Aparece e traz amigas/os!
* Aveiro - Início de encontro na Praça Melo Freitas (perto do Rossio)
* Coimbra - Concentração no Largo da Portagem, junto à estátua do Mata Frades.
* Lisboa - Concentração na Marquês Pombal, no início do Parque Eduardo VII.
* Porto - Concentração na Praça dos Leões.
Mais informações:
http://massacriticapt.net/
26 de Outubro, sexta-feira 18h00
Aparece e traz amigas/os!
* Aveiro - Início de encontro na Praça Melo Freitas (perto do Rossio)
* Coimbra - Concentração no Largo da Portagem, junto à estátua do Mata Frades.
* Lisboa - Concentração na Marquês Pombal, no início do Parque Eduardo VII.
* Porto - Concentração na Praça dos Leões.
Mais informações:
http://massacriticapt.net/
segunda-feira, outubro 22, 2007
Manifestação Contra a Experimentação Animal
Nesta 5.ª Feira, 25 de Outubro, às 16h, PARTICIPE na Manifestação Contra a Experimentação Animal, frente ao Ministério da Agricultura, na Praça do Comércio, em LisboaPela Boa Ciência, Sem Violência :: ManifestoANIMAL.org
Pelo Fim dos Crimes Sem Castigo
sexta-feira, outubro 19, 2007
Festival Internacional de Banda Desenhada 2007
18.º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora
De 19 de Outubro a 4 de Novembro
Fórum Luís de CamõesCasa Roque Gameiro
Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem
Galeria Municipal Artur Bual
Recreios da Amadora
Mais informações aqui
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