quinta-feira, agosto 18, 2005

O impacto dos transportes na saúde


Os acidentes rodoviários são dos mais evidentes efeitos negativos dos transportes sobre a saúde humana. Embora as mortes nas estradas tenham vindo a diminuir gradualmente, na União Europeia os acidentes rodoviários ainda são responsáveis por cerca de 43.000 mortes e mais de três milhões de feridos anualmente. Uma em cada três pessoas é hospitalizada uma vez na vida em resultado de um acidente rodoviário. As colisões são a principal causa de morte e hospitalização entre os indivíduos com menos de 45 anos (fonte: Conselho Europeu para a Segurança dos Transportes), cabendo-lhe maior responsabilidade na redução da esperança de vida do que às doenças cardíacas e ao cancro. Estima-se que os acidentes rodoviários custam à sociedade mais de 160.000 milhões de euros por ano, o que corresponde a 2% do PIB comunitário. É, de facto, um preço enorme a pagar, quando existem soluções com uma boa relação de custo-eficácia e passíveis de serem aceites pela generalidade da população. Uma melhor gestão dos limites de velocidade, com uma redução da velocidade média em 5 km/hora, poderia evitar mais de 11.000 mortos e 180.000 feridos todos os anos dentro do espaço comunitário. Se o índice de utilização do cinto de segurança aumentasse para os melhores níveis internacionais, poupar-se-iam anualmente 7000 vidas nos Estados-Membros. Medidas concretas relativas à protecção em caso de impacto lateral e ao consumo de álcool poderiam igualmente contribuir para minorar o problema. Contudo, os acidentes rodoviários não são, de longe, as únicas consequências negativas dos transportes na saúde humana. Na caixa de texto seguinte são apresentadas outras consequências menos evidentes.

Inactividade física - De acordo com o relatório "The Global Burden of Disease", da Organização Mundial de Saúde (OMS), no mundo ocidental a inactividade física é o segundo maior factor de risco para a saúde, logo a seguir ao consumo de tabaco. Apenas meia hora de exercício físico por dia (por exemplo, andar a pé ou de bicicleta) conduziria a um decréscimo de 50% dos riscos de se contrair uma doença cardíaca, diabetes e obesidade.

Emissões gasosas - As emissões gasosas podem afectar as funções respiratórias e provocar outros problemas de saúde e doenças como o cancro ou problemas cardiovasculares. Eis alguns exemplos bem conhecidos de emissões gasosas: - partículas de diesel (que provocam cancro nos animais e seres humanos) - benzeno (poderá ser o agente responsável pela leucemia infantil) - ozono (pode provocar uma redução das funções respiratórias e causar alergias) - NOx As emissões provenientes de veículos novos são até 95% inferiores às dos veículos anteriores a 1970. No entanto, embora os veículos se tenham tornado relativamente menos poluentes, a situação não se alterou em termos absolutos, pois não só o número de veículos aumentou, como também o número e a duração das deslocações. Num estudo recente descobriu-se que a poluição do ar causa uma taxa de mortalidade mais elevada do que os acidentes rodoviários. Neste estudo, realizado na Áustria, França e Suíça, afirma-se que 40.000 mortes anuais são atribuíveis à poluição do ar (6% da mortalidade total). Cerca de 50% de todas as mortes causadas pela poluição do ar podem ser atribuídas aos veículos motorizados, o que nestes países corresponde a duas vezes o número de mortes resultantes de acidentes rodoviários. Poeiras As poeiras, tais como as causadas pelo desgaste dos pneus, podem afectar as funções respiratórias e provocar alergias.

Ruído - Na região europeia, cerca de 450 milhões de pessoas (63 % da população) estão expostas a níveis de ruído passíveis de causar graves incómodos, interferir nas conversações e perturbar o sono. O ruído pode ainda afectar a concentração e a memória, provocar stress e, indirectamente, ser responsável por doenças cardiovasculares. As pessoas que vivem perto de aeroportos e outras infra- estruturas de transportes têm grandes probabilidades de ser especialmente afectadas. Um estudo recente da Universidade de Londres sobre crianças que vivem nas proximidades do aeroporto de Heathrow revelou que as que estão expostas a elevados níveis de ruído provocado pelos aviões têm menos capacidades de leitura. O estudo concluiu que as crianças que habitam em zonas perto de aeroportos ou sob rotas aéreas são formadas num ambiente menos propício à aprendizagem. Vários: stress ocular, efeitos psicossociais dos transportes (p. ex.: em resultado da fragmentação das comunidades e do isolamento), radiação, electrosmog Existem muitos outros efeitos directos e indirectos na saúde dos quais ainda pouco se sabe. Em muitos casos, é necessário investigar-se mais para se ficar a conhecer a fundo todas as implicações do problema.

Fonte: Relatório do Parlamento Europeu Relatório do Parlamento Europeu

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